A Odisseia: Como o projeto mais caro de Christopher Nolan se tornou também o mais controverso
Após o triunfo de Oppenheimer nos Óscares, Christopher Nolan regressa este verão com "A Odisseia", o épico mais caro e ambicioso da sua carreira que já está envolto em polémica... Fica a saber tudo!
Nos dias de hoje, são poucos os cineastas que conseguem levar multidões ao cinema com base na sua marca. Christopher Nolan é um dos casos mais notáveis, tendo conseguido que Oppenheimer (2023), uma biografia com vários momentos a preto e branco se tornasse um blockbuster que conquistou quase mil milhões de dólares nas bilheteiras mundiais.
Depois da obra que valeu a Nolan os tão cobiçados Óscares de Melhor Filme e Melhor Realizador, o cineasta britânico tem carta branca para fazer o que quisesse e gastou-a com A Odisseia (The Odyssey).
A Odisseia "não é uma história, é a história"
Baseado no épico homónimo de Homero, estamos perante a história de Odysseus (em português: Ulisses), o rei de Ítaca, que embarca numa jornada de regresso a casa após a Guerra de Troia. Na Cinemacon, Christopher Nolan explicou a decisão: "Porquê 'A Odisseia'? 'A Odisseia' é uma história que cativou gerações e gerações durante três mil anos... Não é uma história, é a história".
Para levar a sua visão ao grande ecrã, Nolan reúne-se com a equipa oscarizada de Oppenheimer, com Ludwig Göransson na composição, Hoyte van Hoytema como diretor de fotografia, e ainda Jennifer Lame como montadora.
Matt Damon, Anne Hathaway e muitos outros no elenco

No elenco, Matt Damon é promovido de secundário no filme anterior ao grande protagonista da história, com Anne Hathaway (The Dark Knight Rises e Interstellar), Elliot Page (Inception) e Robert Pattinson (Tenet) a repetirem a parceria com o cineasta. Além destes, o filme conta ainda com Tom Holland, Zendaya, Charlize Theron, Lupita Nyong'o, John Leguizamo, Jon Bernthal, Himesh Patel e muitos outros. As filmagens estenderam-se por diversos países, incluindo Grécia, Itália, Islândia e Escócia, tendo ainda gerado um foco de controvérsia ao filmar no disputado território do Saara Ocidental.
A controvérsia que envolve até Elon Musk

Nas redes sociais, o filme tem sido alvo de ataques sistemáticos, liderados pelo bilionário Elon Musk, contra a alegada escolha de Lupita Nyong'o para interpretar Helena de Tróia e Elliot Page como Aquiles. Importa perceber que ainda não foi confirmada nenhuma das duas situações. Musk acusou Nolan de querer Óscares ("Chris Nolan profanou A Odisseia para que pudesse ser elegível para um Óscar da Academia") e por isso escolheu Nyong'o, algo irónico sendo que o filme anterior de Nolan conquistou sete estatuetas da Academia e tem um elenco maioritariamente branco. O cineasta britânico tem recebido acusações de "racismo contra o povo grego" e de tentar "destruir a Civilização Ocidental".
Além disso, gerou-se uma interpretação errada dos critérios de elegibilidade da Academia, alegando que um filme tem de ter minorias no elenco para chegar aos Óscares. Com o dono do X a escrever: "Quem é, especificamente, o idiota que adicionou as mentiras de DEI [Diversidade, Equidade e Inclusão] aos critérios de elegibilidade dos Óscares da Academia, em vez de ser apenas sobre fazer o melhor filme?".
Tal como já comprovado pela Variety, estas normas exigem apenas que um filme cumpra duas de quatro categorias possíveis, sendo que estas são suficientemente flexíveis para que qualquer produção nomeada em Melhor Filme na história tenha conseguido cumpri-las. As opções incluem: (A) representação no ecrã ou foco narrativo; (B) diversidade na equipa técnica ou criativa; (C) oferta de estágios ou formação pela produtora; ou (D) presença de quadros executivos de grupos sub-representados. Na prática, um filme pode manter o elenco que desejar e, ainda assim, cumprir facilmente os requisitos através de decisões de contratação nos bastidores ou na estrutura da própria empresa, tornando a ideia de que estas regras comprometem a qualidade artística um equívoco sobre o funcionamento real do processo.
A Odisseia é o filme mais caro da carreira de Christopher Nolan

Com um orçamento estimado acima dos 250 milhões de dólares, A Odisseia é a obra mais cara da filmografia de Nolan e chegará aos cinemas no dia 16 de julho, envolta em muita expetativa, mas também muita polémica. Ainda assim, várias publicações da indústria projetam que o filme seja um dos maiores sucessos de bilheteira deste verão, com sessões IMAX a esgotarem com um ano de antecedência.
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