Microsoft Build 2026 - Surface, Agents, Copilot e muito AI
Uma das novidades mais relevantes da Microsoft Build 2026 foi o reforço da aposta em AI a correr localmente no Windows. A empresa anunciou a expansão do Windows ML e do Windows AI, ao mesmo tempo que revelou dois novos modelos pensados para funcionar “in-box” no sistema operativo.

Entre eles está o Ion Instruct, um SLM mais eficiente e orientado para tarefas de raciocínio, e o Ion Plan, um modelo de planeamento pensado para suportar um agentic cycles locais. Na prática, esta abordagem abre caminho a agentes que podem operar diretamente no PC, com acesso a ferramentas e menor dependência da cloud.
Surface RTX Spark leva a computação de AI a outro nível
No campo do hardware, a Microsoft apresentou o Surface RTX Spark Dev Box, construído em torno de um SoC de nova geração desenvolvido com tecnologia Nvidia. A proposta junta CPU, GPU e capacidades de AI num único sistema, com especificações dirigidas a cargas de trabalho exigentes.
Segundo a apresentação, a máquina inclui 20 núcleos de CPU, 128 GB de memória unificada e cerca de 1 teraflop de capacidade de computação para AI. A ambição da Microsoft é clara: transformar este equipamento numa verdadeira “dream machine” para programadores e até num desktop data center, capaz de correr localmente modelos de enorme dimensão.
O Windows está a tornar-se mais apelativo para programadores
A Build 2026 trouxe também um conjunto alargado de melhorias para o ecossistema de desenvolvimento em Windows. A Microsoft quer tornar o sistema mais confortável para quem trabalha diariamente com terminal, Linux, containers e automação.
Entre as novidades destacam-se um terminal inteligente com GitHub Copilot integrado, suporte nativo para ferramentas como Zsh, Starship e Homebrew, e ainda a chegada de mais de 75 utilitários de linha de comandos ao Windows. A isto junta-se o novo suporte de primeira classe para WSL containers, pensado para simplificar a gestão de ambientes locais e tirar partido da aceleração por GPU.
Para lá do terminal, a Microsoft mostrou várias melhorias na experiência prática de desenvolvimento no desktop. O Explorador de Ficheiros passa a incluir informação relacionada com Git, como autor da última alteração, mensagem mais recente e nome da branch ativa.
Houve ainda espaço para pequenas novidades com impacto no dia a dia, como a Utility Grab and Move nos PowerToys, a opção de terminar processos sem abrir o Gestor de Tarefas, e uma versão do Microsoft Edit com syntax highlighting. No novo Surface RTX Spark, várias ferramentas de desenvolvimento, como Python e Node, já vêm instaladas de origem.

GitHub Copilot está a evoluir para um agente mais autónomo
Outra das mensagens fortes do evento foi a transformação do GitHub Copilot numa ferramenta cada vez mais "agentic". A nova aplicação permite iniciar sessões separadas por problema, usar worktrees Git para isolar contexto e até acompanhar automaticamente pull requests ao longo de verificações de CI, revisão de código e resolução de conflitos.
Além disso, a aplicação passa a centralizar projetos, issues, PRs e automações reutilizáveis, que podem correr localmente ou na cloud. A integração com modelos variados, incluindo da OpenAI, Anthropic e Google, mostra que a Microsoft quer posicionar o Copilot como uma camada unificada de produtividade para programadores.
Mas há mais, nomeadamente preocupações que surgem devido ao aumento dessa autonomia e, por consequência, questões de segurança. Com agentes mais capazes, a questão da segurança ganhou destaque e, para responder a isso, a Microsoft apresentou os Microsoft Execution Containers, ou MXC, uma nova camada de política e isolamento.
A ideia é permitir que ações feitas por agentes sejam executadas dentro de um perímetro controlado, com permissões granulares sobre pastas, clipboard ou acesso à Internet. A demonstração com o OpenClaw mostrou precisamente esse cenário: um agente tentou apagar ficheiros no ambiente Windows, mas foi impedido pelas regras de sandboxing definidas com MXC.
Azure continua a crescer com foco em eficiência
Na vertente cloud, a Microsoft reforçou a dimensão global do Azure e a sua estratégia de eficiência para workloads de AI. A empresa afirmou que o Azure já cobre mais de 500 data centers em 80 regiões, e que acrescentou mais capacidade nos últimos 18 meses do que em toda a primeira década da plataforma.
Também foram destacadas novas infraestruturas como o Maya 200, já em operação em alguns estados norte-americanos, e as novas máquinas virtuais Cobalt 200, baseadas em ARM. O foco permanece na relação entre tokens, custo e consumo energético, uma métrica que a Microsoft apresentou como central para a nova geração de serviços de AI.

Microsoft IQ quer dar mais contexto aos agentes
Um dos conceitos mais interessantes apresentados foi o Microsoft IQ, descrito como uma camada unificada de entendimento organizacional. Esta visão combina diferentes níveis de contexto para apoiar agentes mais informados e úteis.
A proposta integra o Web IQ, para aceder a informação atualizada da web, o Fabric IQ, para trabalhar sobre dados operacionais em tempo real, e o Work IQ, para consultar documentos, processos e conhecimento interno das organizações. Com esta arquitetura, os agentes conseguem cruzar informação externa, estado operacional e procedimentos internos num único fluxo de raciocínio.
A Build 2026 não se limitou ao PC tradicional e à cloud. A empresa mostrou também o Project Solara, uma nova plataforma de dispositivos pensados para interações com agentes de AI.
Foram apresentados dois formatos: um dispositivo fixo de secretária, com autenticação biométrica e integração com Windows 365, e um dispositivo portátil em formato badge, desenhado para interações rápidas e seguras em mobilidade. A visão parece ser a de um ecossistema em que os agentes acompanham o utilizador em vários contextos, e não apenas no portátil ou no smartphone.
Houve também novos modelos de AI próprios
A Microsoft aproveitou o palco para revelar uma nova família de modelos próprios em várias áreas. Entre eles estão o MAI Image 2.5 e a sua variante Flash para imagem, o MAI Transcribe 1.5 para transcrição, o MAI Voice 2 para geração de voz, o MAI Thinking 1 para raciocínio e o MAI Code 1 Flash orientado para programação.
Estes anúncios mostram que a empresa quer ter uma oferta cada vez mais abrangente de modelos fundacionais, cobrindo multimodalidade, voz, código e reasoning. Em paralelo, foi ainda anunciada uma parceria com a Mayo Clinic para o desenvolvimento de um novo frontier model dedicado à área da saúde.
Os Autopilots representam a próxima fase de automação empresarial
Na área empresarial, a Microsoft apresentou os Autopilots, descritos como agentes autónomos de longa duração com conformidade empresarial. Estes agentes são pensados para operar dentro do tenant da organização e integrar-se com ferramentas como Teams, Outlook e Copilot.
O primeiro exemplo mostrado foi o Scout, capaz de participar em chats, tratar threads de e-mail e acompanhar trabalho colaborativo. A promessa é que, nos próximos meses, esta ideia evolua para equipas digitais compostas por vários autopilots especializados.
Por fim, a Microsoft voltou a sublinhar o progresso na computação quântica com o anúncio do Myana 2. Segundo a empresa, esta nova geração melhora significativamente o tempo de vida médio dos qubits face à anterior.
A Microsoft afirmou que o Myana 2 atinge tempos de vida na ordem dos 20 segundos, podendo em alguns casos aproximar-se de um minuto. Trata-se de um salto expressivo face a abordagens que operam apenas em microssegundos ou milissegundos, e que reforça a ambição da empresa de construir um computador quântico escalável.
Em suma, um excelente evento, muito promissor e distinto. A Microsoft parece ter, tal como a Google, andado à deriva por dados momentos, mas, ao que tudo indica, regressou em força ao universo da Inteligência Artificial. Novos produtos, novos agentes, novos modelos e novos processadores.
Tudo isto apresentado na Build 2026, dedicada a programadores, agora mais felizes com o rumo que a empresa de Redmond pretende seguir. Se quiser saber tudo o que foi apresentado - em 120 segundos - confira o vídeo em baixo:
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