Cinema

Supergirl - Crítica: Uma promessa falhada do Universo DC

James Gunn prometeu um "guião rock solid", mas Supergirl está longe de cumprir as expetativas do novo DCU... Lê aqui a nossa crítica!

Supergirl - Crítica: Uma promessa falhada do Universo DC
Este artigo pode conter spoilers!

Quando James Gunn e Peter Safran tomaram controlo do DCU, prometeram liberdade criativa para os seus autores e que a prioridade seria sempre ter um “guião rock solid”. Ao vermos Milly Alcock surgir nos últimos minutos do Superman (2025) de James Gunn, a ideia de um filme solo dela fez todo o sentido. Em poucos minutos, Alcock mostrou-se carismática e pronta para o seu close-up numa versão “party girl” da super-heroína.

Agora com Supergirl (2026) nos cinemas, a questão que se impõe é: O que viu James Gunn no argumento “muito pouco rock solid” de Ana Nogueira e no cineasta Craig Gillespie (Eu, Tonya), sem provas dadas neste tipo de blockbuster, para contar esta história?

Craig Gillespie: Um erro de casting para Supergirl

Supergirl' 2026 Movie Review: Superman's Cousin Blazes Own Trail

A obra é um pastiche daquilo que Gunn fez com Guardiões da Galáxia, mas mal feito, ancorando-se no plot de True Grit e na construção de mundo de Mad Max. No entanto, Craig Gillespie é um realizador que não tem qualquer senso de como lidar com este tipo de escala, nem apreço visual e acaba por entregar uma aventura espacial entediante, com identidade visual muito pobre e uns tons acastanhados e borrados que se tornam um repelente aos olhos de quem assiste.

Também as cenas de ação padecem da incompetência que Gillespie revela para o trabalho. Optando por planos fechados e cortes rápidos, torna-se díficil de nos localizarmos na ação. Nunca dá para perceber quem está a bater quem, o que é suposto estar a acontecer e mais uma vez, fica evidente as limitações técnicas e estéticas dos cenários pobres.

Outra das marcas do cinema de Gunn, as needle drops, aqui tornam-se artíficos preguiçosos, sem brilho e, no apático clímax do filme soterrado de escolhas bizarras, a música destaca-se como uma das piores. Isto prova que não basta imular o estilo vencedor de Gunn para conseguir um filme de super-heróis bem sucedido, e é uma lição importante para que a nova DC não se torne uma série de clones executados por cineastas a tentar impressionar o chefe.

Esta Supergirl não merece Milly Alcock

Supergirl | Film Threat

Nem mesmo Milly Alcock consegue se soltar num filme que não tem qualquer domínio de tom, que se recusa a explorar a psique da personagem e a deixa presa num estereótipo de bountyhunter desinteressado. De destacar ainda que Nogueira transforma a Supergirl em alguém que confia em qualquer pessoa, num nível risível, descartando a lógica em nome das conveniências do argumento. A atriz bem tenta, mas a sagacidade e o caos da sua pequena participação aqui são substituídas por falas forçadas e uma caracterização inconsistente.

Não ajuda também que a dinâmica True Grit aqui se fundamente num desempenho letárgico de Eve Ridley (Ruthye Marye Knoll), o que leva a que a dinâmica de suposta amizade que nasce entre elas nunca seja convincente.

Um vilão esquecível numa trama tonalmente desconcertante

Supergirl" proves Hollywood studios still don't trust women superheroes -  Salon.com

O calcanhar de Aquiles da maioria dos filmes de super-heróis é o vilão, e esta longa-metragem vai mais longe ao construir Krem (Matthias Schonaerts), um antagonista patético, visualmente inassociável de qualquer outro personagem, que tem uma presença quase inexistente no filme. O mais surreal é que Krem é o líder de um grupo que está a traficar crianças de vários planetas para manter uma linhagem masculina, uma trama que é usada de forma descartável. Kara nunca se parece tão importada assim com as vítimas; o filme não lhes dá lugar de fala, e algo tão importante e tonalmente desconcertante acaba atirado de forma rasa, como, aliás, todos os temas que a obra se propõe a explorar.

Tudo aqui é nível esboço, não vai além do básico e mesmo o flashback que explica a origem de Kara Zor-El, o único ponto em que o filme consegue captar a atenção, é demasiado genérico e perdido na narrativa para surtir o efeito pretendido.

Uma desilusão chamada Supergirl

Supergirl (2026) - IMDb

Com uma hora e quarenta e cinco, Supergirl é a prova de que a duração não é o problema, mas sim o ritmo. No seu segundo longa-metragem do novo universo, a DC apresenta um filme inchado, estático, pobre que desperdiça uma atriz que estava pronta para dar muito mais, mas acaba sabotada por uma realização inapta de Craig Gillespie e um argumento que precisava de mais três ou quatro revisões antes de estar “rock solid”.

Nota: 3/10

Filme: Supergirl
Lançado em: 2026
País de origem: Estados Unidos
Realizador: Craig Gillespie
Escrito por: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, Eve Ridley, Matthias Schoenaerts, Jason Momoa

Comentários

TAMBÉM PODES TER INTERESSE...

Para lá d’A Odisseia: onde ver (e rever) os filmes de Christopher Nolan no streaming

Para lá d’A Odisseia: onde ver (e rever) os filmes de Christopher Nolan no streaming

Streaming
Iberdrola | bp pulse inaugura novo hub no Algarve e ultrapassa os 500 pontos de carregamento em Portugal

Iberdrola | bp pulse inaugura novo hub no Algarve e ultrapassa os 500 pontos de carregamento em Portugal

Carros Elétricos

📬 INSCREVE-TE NA NOSSA NEWSLETTER

Recebe os nossos artigos mais relevantes diretamente no teu email.

DO NOSSO GRUPO

DroidReader

DroidReader

Notícias, dicas e reviews Android em português

iFeed

iFeed

Notícias e dicas Apple em Português