O WhatsApp continua a ser uma das aplicações de mensagens mais utilizadas no mundo, mas a ligação à Meta continua a levantar dúvidas sobre privacidade. Apesar de as conversas estarem protegidas por encriptação de ponta a ponta, a aplicação continua a recolher diversos metadados relacionados com a utilização do serviço.
Embora não seja possível impedir totalmente essa recolha de informação, existem várias definições e hábitos que ajudam a limitar os dados partilhados com a empresa. Abaixo ficam algumas das principais medidas que pode adotar para reforçar a sua privacidade sem deixar de utilizar o WhatsApp.
Que dados o WhatsApp partilha com a Meta?
A encriptação de ponta a ponta garante que apenas o remetente e o destinatário conseguem ler o conteúdo das mensagens. Nem o WhatsApp nem a Meta têm acesso ao texto das conversas, fotografias ou vídeos enviados através da aplicação.
No entanto, continuam a ser recolhidos metadados, como o número de telefone, o endereço IP, informações sobre o dispositivo, horários de utilização, contactos com quem comunica e interações realizadas com contas empresariais.

Em Portugal, os utilizadores estão protegidos pelo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), que lhes confere direitos como solicitar acesso aos dados pessoais tratados, pedir a respetiva eliminação em determinadas situações e conhecer a finalidade da sua utilização.
Ajuste as definições de privacidade
Um dos primeiros passos é rever as opções disponíveis em Definições > Privacidade. Sempre que possível, configure informações como a fotografia de perfil, “Visto pela última vez”, estado e informações pessoais para “Os meus contactos” ou “Ninguém”, reduzindo a exposição da sua atividade.

Também pode desativar as confirmações de leitura (os vistos azuis), caso prefira que a aplicação recolha menos informação sobre os seus hábitos de utilização. Tenha em conta que esta opção também impede que veja quando outras pessoas leram as suas mensagens.
No caso da localização, o ideal é conceder acesso apenas quando necessário ou optar pela opção “Perguntar sempre”, evitando que a aplicação tenha acesso permanente à sua posição.
Reveja as permissões do smartphone
Além das definições internas do WhatsApp, vale a pena verificar as permissões atribuídas pela própria plataforma.
No Android e no iPhone, pode limitar o acesso à câmara, microfone, localização e outros recursos do equipamento, permitindo a sua utilização apenas quando realmente necessários.

Nos dispositivos Apple, também é aconselhável desativar o “Rastreamento de Apps”, funcionalidade do iOS que impede aplicações como o WhatsApp de acompanhar a atividade do utilizador noutras aplicações e sites para fins publicitários.
Evite integrar o WhatsApp com outros serviços da Meta
Sempre que possível, evite ligar a conta do WhatsApp ao Facebook ou ao Instagram. Também é recomendável recusar pedidos de sincronização entre aplicações da Meta, reduzindo a circulação de dados entre os diferentes serviços do grupo.

Se utilizar o WhatsApp Web, é igualmente aconselhável terminar as sessões quando deixar de as utilizar. Pode fazê-lo em “Dispositivos associados”, terminando as ligações que já não utiliza.
Outras medidas que ajudam a proteger a privacidade
Existem ainda alguns hábitos que podem reforçar a proteção dos seus dados:
- Mantenha o WhatsApp atualizado;
- Utilize mensagens temporárias sempre que fizer sentido;
- Reveja periodicamente o relatório de dados da conta em Definições > Conta > Pedir dados da conta;
- Para conversas sensíveis, considere aplicações focadas na privacidade, como o Signal.
Pequenos ajustes podem fazer diferença
Embora seja impossível utilizar o WhatsApp sem qualquer partilha de metadados com a Meta, é possível reduzir significativamente essa recolha através das definições da aplicação, das permissões do sistema operativo e da adoção de alguns hábitos de utilização.

Rever regularmente as definições de privacidade, acompanhar eventuais alterações nas políticas da plataforma e exercer os direitos previstos pelo RGPD são medidas que ajudam a manter um maior controlo sobre os dados pessoais partilhados com a Meta.