"Homem-Aranha: Um novo dia" - Crítica | Um recomeço apático que não convence
O Homem-Aranha está de volta aos cinemas com "Um novo dia", mas será que este filme está à altura dos anteriores? Leia aqui a nossa crítica!
O Homem-Aranha é um dos super-heróis mais populares do cinema. É por isso mesmo que depois de uma trilogia de muito sucesso, o MCU volta a apresentar um novo capítulo: Homem-Aranha: Um novo dia (Spider-Man: Brand new day).
O filme parte da premissa arrojada do final de Homem-Aranha: Sem volta a casa (Spider-Man: No way home): Peter Parker a pedir que o mundo inteiro o esquecesse, sacrificando a identidade e as relações que tinha construído ao longo de três filmes para proteger quem ama.
Um novo dia com estilo diferente

Assim, estamos perante um personagem a começar, literalmente, do zero. Para inaugurar esta nova era, há uma mudança no comando. Sai Watts, entra Destin Daniel Cretton (Shang-Chi e a Lenda dos dez anéis), e o filme faz questão de o dizer visualmente, para o bem e para o mal.
Essa vontade de marcar nota-se logo na forma como o filme é filmado. Cretton recorre a zooms repentinos e a opções estilísticas que, em vez de reforçarem o tom, parecem muitas vezes deslocadas. Um verniz de identidade que nunca se cola de forma orgânica ao que se está a contar.
Uma premissa dramática forte que acaba desperdiçada

Do lado do protagonista, porém, o filme funciona. Tom Holland está seguro, carismático, e consegue entregar com convicção o peso dramático de um Peter que teve de apagar todos à sua volta, incluindo o amor da sua vida e o melhor amigo, para salvar o mundo. É esse drama, e a química que os filmes anteriores souberam construir, que sustenta os escassos momentos verdadeiramente interessantes do filme.
A premissa, que lembra O despertar da mente (Eternal sunshine of the spotless mind), tinha potencial para ser o verdadeiro core emocional da história. O problema é que a MJ de Zendaya nunca reage à altura desse conceito: percebe que algo está errado, mas aceita seguir um desconhecido sem grande resistência (mesmo sendo esse desconhecido o Homem-Aranha). A própria atriz já referiu que numa primeira versão do guião, a personagem era "menos estranha e com menos tiques" do que o habitual, e a sensação que fica é que a correção não resolveu o problema.
Um filme esmagado pelas obrigações do MCU

E é aqui que o peso de ser "mais um filme do MCU" começa a esmagar o que era para ser uma história mais introspectiva, que não tem tempo para respirar. Entre trazer o Punisher, referenciar Os Novos Vingadores e introduzir os mutantes, o filme perde o foco.
O Punisher de Jon Bernthal surge do nada, canastrão e quase caricatural, sem qualquer encaixe natural naquele universo numa dinâmica com Peter que é forçada do início ao fim. Por contraste, é Florence Pugh quem rouba as cenas: a sua Yelena traz uma leveza e uma comicidade de que o filme precisa desesperadamente. As sequências que envolvem o Hulk de Mark Ruffalo também são uma injeção de energia necessária, ainda que sirvam, ao mesmo tempo, como mais uma prova de como o filme está sobrecarregado.
Um problema chamado Jean Grey

Mas é na introdução dos mutantes que Homem-Aranha: Um novo dia toma o seu maior (e mais arriscado) risco. Depois de meses de mistério sobre quem Sadie Sink estaria a interpretar, confirma-se o que a internet já suspeitava: trata-se da primeira aparição da icónica Jean Grey no universo.
Sink, no entanto, nunca domina verdadeiramente o tom da personagem: alguém demasiado poderosa a vingar a morte da irmã. É uma introdução que arrisca demais e entrega pouco: Jean coloca pessoas em perigo de forma gratuita, chega a torturar Peter psicologicamente e a pôr MJ em risco, para depois o filme tentar amarrar tudo isso num final adocicado que soa profundamente equivocado. Ter um trauma legítimo não justifica tudo o que ela faz, só porque, no fim, poupa o vilão.
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Homem-Aranha: Um novo dia é um retrocesso em relação à trilogia anterior: menos dinâmico, sem o charme nem o humor que a definia, quase apático. Um filme protocolar da Marvel, feito para cumprir calendário, que desperdiça um arco genuinamente interessante do herói altruísta em meia dúzia de cenas resolvidas de forma fácil demais.
Nota: 4/10
Filme: Homem-Aranha: Um novo dia (Spider-Man: Brand new day)
Lançado em: 2026
País de origem: Estados Unidos
Realizador: Destin Daniel Cretton
Escrito por: Chris McKenna, Erik Sommers
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jon Bernthal, Jacob Batalon, Mark Ruffalo, Michael Mando, Tramell Tillman, Florence Pugh
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