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"Homem-Aranha: Um novo dia" - Crítica |  Um recomeço apático que não convence

"Homem-Aranha: Um novo dia" - Crítica | Um recomeço apático que não convence

André Sousa

por André Sousa

01/08/2026 4 minutos de leitura

    Etiquetas

    Crítica Cinema
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    O Homem-Aranha está de volta aos cinemas com "Um novo dia", mas será que este filme está à altura dos anteriores? Leia aqui a nossa crítica!

    💡
    Esta crítica contém spoilers!

    O Homem-Aranha é um dos super-heróis mais populares do cinema. É por isso mesmo que depois de uma trilogia de muito sucesso, o MCU volta a apresentar um novo capítulo: Homem-Aranha: Um novo dia (Spider-Man: Brand new day).

    O filme parte da premissa arrojada do final de Homem-Aranha: Sem volta a casa (Spider-Man: No way home): Peter Parker a pedir que o mundo inteiro o esquecesse, sacrificando a identidade e as relações que tinha construído ao longo de três filmes para proteger quem ama.


    Um novo dia com estilo diferente

    Spider-Man: Brand New Day' Trailer Gets Record 719 Million Views

    Assim, estamos perante um personagem a começar, literalmente, do zero. Para inaugurar esta nova era, há uma mudança no comando. Sai Watts, entra Destin Daniel Cretton (Shang-Chi e a Lenda dos dez anéis), e o filme faz questão de o dizer visualmente, para o bem e para o mal.

    Essa vontade de marcar nota-se logo na forma como o filme é filmado. Cretton recorre a zooms repentinos e a opções estilísticas que, em vez de reforçarem o tom, parecem muitas vezes deslocadas. Um verniz de identidade que nunca se cola de forma orgânica ao que se está a contar.


    Uma premissa dramática forte que acaba desperdiçada

    First look at Zendaya in 'SPIDER-MAN: BRAND NEW DAY.' 🎬 #Zendaya #SpiderMan

    Do lado do protagonista, porém, o filme funciona. Tom Holland está seguro, carismático, e consegue entregar com convicção o peso dramático de um Peter que teve de apagar todos à sua volta, incluindo o amor da sua vida e o melhor amigo, para salvar o mundo. É esse drama, e a química que os filmes anteriores souberam construir, que sustenta os escassos momentos verdadeiramente interessantes do filme.

    A premissa, que lembra O despertar da mente (Eternal sunshine of the spotless mind), tinha potencial para ser o verdadeiro core emocional da história. O problema é que a MJ de Zendaya nunca reage à altura desse conceito: percebe que algo está errado, mas aceita seguir um desconhecido sem grande resistência (mesmo sendo esse desconhecido o Homem-Aranha). A própria atriz já referiu que numa primeira versão do guião, a personagem era "menos estranha e com menos tiques" do que o habitual, e a sensação que fica é que a correção não resolveu o problema.


    Um filme esmagado pelas obrigações do MCU

    Why Spider-Man: Brand New Day Wouldn't Work Without Jon Bernthal's Punisher

    E é aqui que o peso de ser "mais um filme do MCU" começa a esmagar o que era para ser uma história mais introspectiva, que não tem tempo para respirar. Entre trazer o Punisher, referenciar Os Novos Vingadores e introduzir os mutantes, o filme perde o foco.

    O Punisher de Jon Bernthal surge do nada, canastrão e quase caricatural, sem qualquer encaixe natural naquele universo numa dinâmica com Peter que é forçada do início ao fim. Por contraste, é Florence Pugh quem rouba as cenas: a sua Yelena traz uma leveza e uma comicidade de que o filme precisa desesperadamente. As sequências que envolvem o Hulk de Mark Ruffalo também são uma injeção de energia necessária, ainda que sirvam, ao mesmo tempo, como mais uma prova de como o filme está sobrecarregado.


    Um problema chamado Jean Grey

    Sadie Sink's Role As Jean Grey In Spider-Man: Brand New Day Explained

    Mas é na introdução dos mutantes que Homem-Aranha: Um novo dia toma o seu maior (e mais arriscado) risco. Depois de meses de mistério sobre quem Sadie Sink estaria a interpretar, confirma-se o que a internet já suspeitava: trata-se da primeira aparição da icónica Jean Grey no universo.

    Sink, no entanto, nunca domina verdadeiramente o tom da personagem: alguém demasiado poderosa a vingar a morte da irmã. É uma introdução que arrisca demais e entrega pouco: Jean coloca pessoas em perigo de forma gratuita, chega a torturar Peter psicologicamente e a pôr MJ em risco, para depois o filme tentar amarrar tudo isso num final adocicado que soa profundamente equivocado. Ter um trauma legítimo não justifica tudo o que ela faz, só porque, no fim, poupa o vilão.


    Veredito: Um passo atrás para o Homem-Aranha no cinema

    How 'Spider-Man: Brand New Day' is fighting superhero fatigue - Los Angeles  Times

    Homem-Aranha: Um novo dia é um retrocesso em relação à trilogia anterior: menos dinâmico, sem o charme nem o humor que a definia, quase apático. Um filme protocolar da Marvel, feito para cumprir calendário, que desperdiça um arco genuinamente interessante do herói altruísta em meia dúzia de cenas resolvidas de forma fácil demais.

    Nota: 4/10

    Filme: Homem-Aranha: Um novo dia (Spider-Man: Brand new day)
    Lançado em: 2026
    País de origem: Estados Unidos
    Realizador: Destin Daniel Cretton
    Escrito por: Chris McKenna, Erik Sommers
    Elenco: Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jon Bernthal, Jacob Batalon, Mark Ruffalo, Michael Mando, Tramell Tillman, Florence Pugh

    💡
    Já viu Homem-Aranha: Um novo dia? O novo capítulo do personagem de Tom Holland já está nos cinemas!
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