Óscares 2027 | Será "A Odisseia", de Christopher Nolan, capaz de bater o recorde de "Sinners"?
Este ano, "Sinners" tornou-se o filme mais nomeado da história da Academia. Nem um ano depois, "A Odisseia" pode ir ainda mais longe... Eis as nossas previsões para as nomeações deste épico nos Óscares 2027.
Em 2024, Christopher Nolan conseguiu finalmente brilhar nos Óscares com Oppenheimer a triunfar em sete categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador.
Dois anos depois, A Odisseia acaba de chegar aos cinemas e o esperado é que seja mais um massivo sucesso comercial para o cineasta. A crítica, por sua vez, também está rendida ao épico homérico, que já ostenta 97% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma média de 89 no Metacritic. Com ventos tão favoráveis, a questão que se impõe já não é se Nolan conseguirá nomeações nos Óscares 2027, mas sim se o número será suficiente para bater o recorde de 16 nomeações alcançado por Sinners.
A categoria que pode custar o recorde
Não há grandes dúvidas de que estamos perante um candidato formidável que conseguirá nomeações na maioria das categorias técnicas, e dependendo do desempenho de Dune: Part Three, pode até mesmo vencer a maioria delas. Entre as certezas, figuram Melhor Som (que Oppenheimer perdeu, inesperadamente, para The Zone of Interest), Melhor Design de Produção, Melhor Caracterização, Melhor Figurino e as categorias vencidas por Oppenheimer: Melhor Montagem, Melhor Fotografia e Melhor Banda Sonora Original.
Neste segmento, apenas questionamos a possibilidade de A Odisseia falhar a categoria de Efeitos Visuais. Christopher Nolan é conhecido pela primazia dos efeitos práticos e chegou a declarar que Oppenheimer não utilizava CGI, o que levou muitos a concluir, erroneamente, que o filme não continha efeitos visuais. Além disso, a decisão de excluir dos créditos finais cerca de 80% da equipa de efeitos visuais não terá sido bem recebida pelos profissionais da área; recorde-se que Oppenheimer, o grande favorito, acabou por nem integrar a lista de 20 finalistas para a nomeação. Se a narrativa em torno de A Odisseia continuar centrada na ideia de que Nolan "não usa efeitos visuais", a alegada antipatia do departamento poderá, uma vez mais, custar a nomeação.
A canção que pode mudar tudo
Outra variável crucial para o alcance do recorde é a categoria de Melhor Canção Original. Nem todos os fortes candidatos se apresentam competitivos neste campo, mas, em memória recente, temas como Wahzhazhe (A Song for My People) (Killers of the Flower Moon), This is a Life (Everything Everywhere All at Once), Down to Joy (Belfast) e Hear My Voice (The Trial of the Chicago 7) conseguiram garantir a nomeação, mesmo com presenças pouco expressivas nos percursores televisivos (Golden Globes, Critics Choice).

Com a canção When I'm Home, o cenário é promissor. O tema, creditado a James Blake, Travis Scott, Ludwig Göransson e Christopher Nolan, capitaliza as sonoridades criadas por Göransson para a banda sonora, incorporando a distintiva voz de Scott e o estilo característico de Blake. Dado o histórico de canções inseridas em grandes produções da Academia, a probabilidade de nomeação é elevada. Além disso, esta pode representar a quarta nomeação individual de Nolan na mesma cerimónia, somando-se a Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado.
O calcanhar de Aquiles de Nolan e o precedente "Titanic"
Outra grande categoria que não consideramos uma garantia imediata é Melhor Argumento Adaptado. Nos últimos anos, praticamente todos os filmes fortes asseguraram um lugar, até mesmo Top Gun: Maverick. Contudo, A Odisseia corre o risco de se tornar a chocante omissão desta edição.

Historicamente, as críticas a Nolan centram-se na sua escrita. O próprio Oppenheimer não venceu a categoria e, apesar do seu franco favoritismo, nunca foi uma ameaça real para American Fiction, que até no BAFTA surpreendeu. O texto anacrónico, marcado por diálogos expositivos e demasiado simples, tem sido o ponto central de discórdia. É pertinente recordar que os votantes são, eles próprios, argumentistas: familiarizados com a obra de Homero, e é provável que partilhem do ceticismo dos críticos.
Como precedente temos o caso de Titanic que, embora tenha conquistado 14 nomeações e 11 Óscares, foi ignorado na categoria de argumento. Dado que as críticas à escrita de Nolan espelham as que foram apontadas a James Cameron na época, este pode ser um destino muito possível para esta produção.
Entre as garantias e os destaques inesperados: Os atores de "A Odisseia"
Quanto às categorias de representação, Matt Damon é o protagonista da história, num desempenho emocionalmente marcante que pode torná-lo o favorito, dependendo da recepção a Tom Cruise em Digger. Também Anne Hathaway parece garantida; o arquétipo da esposa em sofrimento é um velho conhecido da Academia (e já valeu uma menção a Emily Blunt em Oppenheimer), e a força da sua interpretação justifica a lembrança.

Entre os secundários, John Leguizamo tem sido inesperadamente comentado: um desempenho empático e a narrativa de veterano nunca reconhecido podem bastar para a nomeação, mesmo sem uma "cena definitiva".

Em contraste, Samantha Morton é bastante elogiada, mas não parece ter o que é preciso para sustentar o momentum até Janeiro. Já Robert Pattinson, apesar de um ano forte (The Drama, Primetime e Dune: Part Three), parece não encontrar aqui o veículo certo, dado que o seu desempenho vilanesco não tem gerado a tração necessária.
Melhor Casting não é Melhor Elenco... e a Academia sabe isso
Quanto a Melhor Casting (Escolha de Elenco), é preciso não confundir "Melhor Elenco" (atribuído pelo Sindicato de Atores) com este prémio, votado por diretores de casting. A Academia valoriza o trabalho na procura e construção do grupo e a "descoberta", não o simples peso dos nomes, como provou Sentimental Value, que mesmo com todos os seus atores principais lembrados ficou de fora desta categoria, precisamente por lhe faltar esse fator de descoberta.
O argumento contra A Odisseia é que a mera acumulação de nomes badalados de Hollywood pode não impressionar o departamento. Mesmo que o filme exija uma vasta rede de atores de fundo, a falta de um elemento disruptivo pode não ser suficiente para convencer este corpo de votantes.
Veredito: Quase lá... mas pode não ser suficiente
Neste momento, cogitar um universo em que A Odisseia falha em Melhor Filme ou Melhor Realizador não faz grande sentido. A nomeação não está em discussão, mas sim a chance de vitória.

Posto isto, estas são as quinze nomeações que o Geeksphere está a prever que A Odisseia conquiste nos Óscares:
- Melhor Filme
- Melhor Realizador (Christopher Nolan)
- Melhor Ator (Matt Damon)
- Melhor Atriz Secundária (Anne Hathaway)
- Melhor Direção de Fotografia
- Melhor Montagem
- Melhor Design de Produção
- Melhor Guarda-Roupa
- Melhor Som
- Melhor Caracterização
- Melhor Banda Sonora Original
- Melhor Canção Original
- Melhor Ator Secundário (John Leguizamo)
- Melhor Argumento Adaptado
- Melhores Efeitos Visuais
Assim, em julho de 2026, acreditamos que ainda não será desta que Sinners verá o seu recorde batido. No entanto, é importante perceber que a corrida ainda está a começar, já temos candidatos iniciais como Obsession, Fjord, La Bola Negra e The Invite, mas a época dos festivais trará a confirmação sobre alguns dos mais aguardados: Wild Horse Nine, Behemoth! e muitos outros. Não perca a análise atualizada ao longo de toda a temporada aqui no Geeksphere!
Quantas nomeações acredita que "A Odisseia" de Christopher Nolan irá conseguir?
SÊ O PRIMEIRO A COMENTAR