Portugal está localizado numa zona com atividade sísmica e, apesar de não ser possível prever quando ocorrerá um novo abalo, existem medidas simples que podem ajudar a reduzir danos e aumentar a segurança dentro de casa.
Desde a fixação de móveis até à preparação de um plano familiar de emergência, pequenos cuidados podem fazer diferença antes, durante e depois de um sismo. Saber avaliar os riscos da habitação e conhecer os procedimentos corretos é essencial para estar mais preparado.
Porque existe risco sísmico em Portugal?
O risco sísmico corresponde à possibilidade de um sismo causar danos numa determinada zona, tendo em conta fatores como a frequência dos abalos, o tipo de solo e a resistência das construções.

Portugal Continental, os Açores e a Madeira estão expostos a este risco devido à proximidade da fronteira entre as placas Euro-Asiática e Africana, numa zona de atividade tectónica conhecida como zona Açores-Gibraltar.
A história do país mostra a relevância deste risco. O terramoto de 1755 provocou uma enorme destruição em Lisboa e no Algarve, enquanto o sismo de 1969, com magnitude 7,9, é considerado pelo IPMA como o último grande sismo sentido em Portugal Continental no século XX. Mais recentemente, alguns abalos sentidos em 2024 e 2025 voltaram a lembrar a importância da preparação.
Como avaliar o risco da sua habitação

Avaliar o risco de uma casa não significa prever quando ocorrerá um sismo, mas identificar características que podem influenciar os danos caso aconteça um abalo.
Entre os principais fatores a analisar estão:
- Localização: zonas como Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores apresentam maior exposição ao risco sísmico;
- Ano de construção: edifícios mais antigos podem não ter sido construídos com os mesmos critérios de resistência sísmica das construções mais recentes;
- Tipo de estrutura: construções antigas, alterações estruturais ou sinais de degradação podem aumentar a vulnerabilidade;
- Estado de conservação: fissuras, problemas estruturais ou obras inadequadas devem ser avaliados;
- Segurança dos elementos interiores: móveis e objetos mal fixados podem representar riscos durante um abalo.
Em casas antigas ou quando existem dúvidas sobre a estrutura do edifício, uma avaliação realizada por um engenheiro civil especializado pode ajudar a identificar possíveis fragilidades.
Medidas simples para preparar a casa

A preparação começa antes de qualquer sismo. Algumas medidas não exigem grandes investimentos e podem reduzir significativamente os riscos.
Entre os cuidados recomendados estão:
- Fixar móveis altos, estantes e armários à parede;
- Colocar objetos pesados nas prateleiras inferiores;
- Evitar espelhos, quadros pesados ou objetos frágeis sobre camas e sofás;
- Saber onde ficam os pontos de corte de água, eletricidade e gás;
- Preparar uma mochila de emergência com lanterna, pilhas, rádio, primeiros socorros, medicamentos essenciais e documentos importantes;
- Definir um ponto de encontro familiar para situações em que os membros da família estejam separados.
O que fazer durante um sismo

Durante um sismo, a principal recomendação é seguir a regra Baixar, Proteger e Aguardar, promovida pela iniciativa A Terra Treme, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Se estiver dentro de casa:
- Baixe-se para evitar quedas e proteja a cabeça e o pescoço;
- Procure abrigo debaixo de uma mesa resistente, se possível;
- Afaste-se de janelas, espelhos, armários e objetos que possam cair;
- Não utilize elevadores.
Se estiver na rua:
- Afaste-se de edifícios, postes, muros, árvores e cabos elétricos;
- Procure uma zona aberta;
- Aguarde pelo fim do abalo antes de se deslocar.
Cuidados depois de um sismo

Após o abalo, é importante verificar se existem feridos e pedir ajuda apenas quando necessário. Também deve:
- Cortar a água, eletricidade ou gás caso existam suspeitas de danos;
- Evitar utilizar fósforos ou isqueiros se houver cheiro a gás;
- Não sobrecarregar as redes telefónicas, deixando-as disponíveis para emergências;
- Permanecer atento a possíveis réplicas;
- Seguir as indicações das autoridades através dos meios oficiais.
A importância de estar preparado
Ter uma casa mais preparada para um sismo passa por conhecer os riscos, adaptar o espaço e saber como agir em diferentes situações.
Portugal possui entidades especializadas e recomendações claras de proteção, mas a prevenção começa também com pequenos gestos no dia a dia, como fixar objetos, preparar uma mochila de emergência e avaliar as condições da habitação.
Quanto maior for a preparação, menor poderá ser o impacto de um eventual sismo.