O mercado de carros elétricos usados continua a crescer em Portugal, impulsionado pela chegada de mais veículos ao fim dos contratos de leasing e das primeiras frotas empresariais. Esta tendência tem aumentado a oferta de modelos a preços mais acessíveis, mas também levanta novas questões para quem pretende comprar um automóvel deste tipo.
Ao contrário dos veículos com motor de combustão, em que a quilometragem costuma ser um dos principais indicadores do desgaste, nos elétricos existe um elemento ainda mais importante: o estado de saúde da bateria, conhecido pela sigla SOH (State of Health). Conhecer este indicador antes da compra pode evitar surpresas desagradáveis e custos elevados no futuro.
O que é o SOH da bateria?
O SOH (Estado de Saúde) representa a capacidade atual da bateria em comparação com a capacidade que tinha quando saiu de fábrica. Uma bateria nova apresenta normalmente um valor próximo dos 100%, mas esse número diminui gradualmente com o passar do tempo e da utilização.

A degradação resulta de vários fatores, incluindo os ciclos de carga e descarga, a exposição a temperaturas elevadas, a frequência de carregamentos rápidos e o envelhecimento natural das células. Por exemplo, uma bateria com 90% de SOH conserva cerca de 90% da sua capacidade original, o que se traduz diretamente na autonomia disponível.
Porque o SOH é mais importante do que a quilometragem
É comum avaliar um carro usado pela distância percorrida, mas essa lógica nem sempre se aplica aos veículos elétricos.
Dois automóveis iguais, ambos com 100 mil quilómetros, podem apresentar estados de saúde da bateria muito diferentes. Enquanto um pode manter 95% da capacidade original, outro poderá já estar nos 82%, refletindo-se numa autonomia significativamente inferior e num valor de mercado mais baixo.

A diferença explica-se porque o desgaste da bateria depende de vários fatores além da quilometragem, como os hábitos de carregamento, a gestão térmica implementada pelo fabricante, o clima onde o veículo circulou ou o tempo que permaneceu estacionado com a bateria totalmente carregada.
Como interpretar o estado da bateria
Embora não exista um valor universal considerado ideal, existem algumas referências úteis para avaliar um veículo usado.
- Acima de 95%: estado excelente, muito próximo de uma bateria nova;
- Entre 90% e 95%: muito bom estado, sem impacto significativo na utilização diária;
- Entre 85% e 90%: continua a ser um valor adequado para a maioria dos utilizadores;
- Entre 80% e 85%: exige uma análise mais cuidada e deve refletir-se no preço do veículo;
- Abaixo de 80%: requer maior atenção, podendo aproximar-se dos limites de garantia definidos por alguns fabricantes.
O valor deve ser sempre analisado em conjunto com a autonomia original do modelo, a idade do veículo e o preço pedido pelo vendedor.
Como verificar o SOH rapidamente
Até há alguns anos, conhecer o estado da bateria exigia equipamentos especializados. Hoje, existem plataformas que permitem obter uma estimativa do SOH através dos dados disponibilizados pelo próprio veículo.
Uma das opções disponíveis em Portugal é a calculadora de saúde da bateria da SuperCarros24. O processo consiste normalmente em introduzir os dados solicitados, obter uma estimativa do estado da bateria e comparar o resultado com os valores esperados para o modelo em questão.

No caso da SuperCarros24, a consulta está disponível através de dois planos pagos. O plano Básico custa 1,99 € e inclui a estimativa do estado de saúde (SOH), autonomia estimada, classificação da bateria e recomendações gerais.
Já o plano Premium, disponível por 7,99 €, acrescenta funcionalidades como uma previsão da degradação da bateria, comparação com veículos semelhantes e um certificado que pode ser utilizado na compra ou venda do automóvel.
O SOH está a tornar-se um novo indicador do mercado
À medida que o mercado de elétricos usados cresce, o estado de saúde da bateria começa a assumir um papel semelhante ao histórico de revisões ou aos relatórios de acidentes nos automóveis tradicionais.

Veículos com um SOH elevado tendem a preservar melhor o seu valor de revenda e inspiram maior confiança aos compradores. Por outro lado, baterias com degradação acentuada podem justificar desvalorizações significativas, mesmo quando o automóvel apresenta bom estado geral.
Por isso, antes de comprar um carro elétrico usado, vale a pena dedicar um minuto à verificação deste indicador. Sendo a bateria o componente mais caro do veículo, conhecer o seu estado de saúde tornou-se uma das etapas mais importantes para tomar uma decisão informada.